Atos em São Paulo e Curitiba foram marcados pela ausência de petistas de peso; ex-ministro pretende realizar encontros em outras duas cidades
Jean-Philip Struck
Dirceu com seu filho durante ato contra a decisão do STF, em Curitiba (Walter Alves/AGP/Folhapress)
Condenado
a mais de dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por
formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu já
conhece seu destino – e não se conforma. Antes de começar a cumprir sua
pena, que deve ser iniciada em regime fechado, o petista tenta há
semanas organizar eventos com militantes do partido em sua defesa. Mas o
que Dirceu não esperava era que seu prestígio estivesse tão baixo
dentro da legenda onde construiu sua trajetória política e onde alcançou
posto de líder influente. Os três primeiros atos organizados até agora
foram esvaziados e não produziram nenhum barulho.O
golpe de misericórdia veio na reunião do Diretório Nacional do PT na
última sexta-feira, em Brasília. Representando Dirceu, Serge Goulart, da
tendência radical O Trabalho, apresentou uma moção sugerindo que o
partido fosse às ruas para promover atos contra o STF e que não
reconhecesse o julgamento do mensalão, segundo informou o jornal O Globo.
Porém, a proposta nem chegou a ser votada. A direção do PT não ousou
dar início a um confronto com o órgão que encabeça um dos poderes da
República - e também não quis submeter os mensaleiros a mais uma derrota
pública. Após o encontro, o partido divulgou uma nota, mas nenhuma
linha fazia referência ao mensalão.
Os apoiadores de Dirceu tentaram reunir militantes em atos em São Paulo, Osasco (SP) e
Curitiba. Na próxima semana, deverão ser feitas novas tentativas em
Guarulhos (SP) e Porto Alegre (a menos que a decisão do diretório
nacional enterre de vez os planos de Dirceu).
Em Osasco, o anfitrião do encontro realizado em uma escola foi outro condenado no mensalão, o deputado João Paulo Cunha. Ao grupo, também juntou-se o ex-presidente do PT José Genoino.
Na plateia, entretanto, os políticos mais ilustres eram vereadores e
prefeitos de pequenos municípios paulistas, como Bofete e Jaboticabal,
além de representantes de partidos nanicos como o PSDC e PTN. O
presidente do PT, Rui Falcão, e os deputados Jilmar Tatto (PT-SP), líder
do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo, que
haviam sido inicialmente anunciados como participantes do evento, não
foram. Ao explicar as ausências, os organizadores culparam o “trânsito
de São Paulo".
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